A sessão da Câmara ocorre toda segunda às duas horas. Aliás, não é bem às duas, afinal estamos tratando de um órgão público. Esse atraso me fez esperar a chegada dos vereadores que, não para minha surpresa, entram pelos fundos. Não me cabe fazer uma análise da representação simbólica deste detalhe, melhor é me ater apenas ao detalhe de que o estacionamento fica nos fundos. Até porque poucos estão interessados em saber se tal vereador está ou não na casa. Só que hoje, em especial, esses poucos pareceram muitos. Nas camisetas um adesivo exprimia um basta. Os policiais civis ocuparam todos os assentos. Os vereadores se ocuparam do mesmo assunto. A greve paralisou a polícia civil por um dia, em quase todos os municípios do estado de São Paulo – com exceção de Presidente Prudente e Sorocaba. Os policiais civis paulistas recebem os menores salários se comparados aos policiais de outros estados. Como não podia ser diferente, reivindicam por reajuste salarial, além de reestruturação das carreiras e aposentadoria especial.
Feito o discurso que apresentou tais propostas, os reivindicantes aplaudiram de pé, na ignorância de que o regimento interno da casa proíbe demonstração contra ou a favor. Concordo com as reivindicações, mas não aplaudi de pé o discurso (também ignorava a existência de qualquer regra que proibisse manifestações). Minha atitude se assemelhou um pouco a dos vereadores. Acho a greve um meio democrático e legal para cobrar medidas do poder público. Porém, não darei nenhuma contribuição para que os objetivos sejam atendidos, como muito dos vereadores que só agem com uma expressão de aprovação associado ao chacoalhar da cabeça. Ainda comparando minha atitude passiva com a desses políticos, percebe-se que estes a representam de uma forma mais completa, ou seja, concordam e discursam. Esse detalhe foi importantíssimo – em outras épocas seria apenas importante. Citarei dois agravantes de valor positivo nessa situação: eles discursaram para um grande (tomando as devidas proporções) público presente e não para um espectador que fica na cozinha enquanto o vereador fala na televisão da sala; e tiveram a oportunidade de fazer campanha para a reeleição, sentindo já o clima de disputa para ver qual seleciona as melhores palavras para atrair o eleitorado.
Usarei a oratória política proferida na Câmara como base para escolher aquele que mais se destacou nessa última sessão. Só para lembrar, o destaque da semana passada foi o vereador Antônio Carlos Garms (PTB) por ter expressado muito bem sua inquietação e revolta decorrentes de sua desinformação quanto à possível negociação de um empréstimo da Caixa Econômica para o governo e de sua descrença referente à construção das Nações Norte. Inclusive, nessa última reunião, o vereador justificou que se excedeu devido ao alto nível de adrenalina no sangue. Acrescento que esse hormônio prepara o organismo para grandes esforços físicos, o que me leva a crer ser esse o motivo de o vereador se movimentar tanto no prédio e atacar colegas de profissão e jornalistas, enquanto a reunião seguia. Voltando a escolha do destaque dessa semana, o tema abordado foi a greve dos policiais civis e aquele que melhor discursou (fez campanha política) foi o vereador Arildo Lima Júnior (PP) que com sua incomparável prolixidade utilizou-se dos dez minutos da tribuna para instruir sobre a importância do polícia civil e para emocionar por meio da humanização do ofício.
Pautas renegadas
Por uma feliz coincidência, foi citada na tribuna a situação dos cemitérios de Bauru, necessitados da ação da Endurb que se responsabiliza pelas reformas. Houve revolta do legislativo que não aceita que a restauração do mármore seja mais cara que a do granito. E quanto à presença de escorpiões no cemitério? Bem, esse assunto teve seus cinco segundos na pauta quando citaram, entre vírgulas, a expressão “animais peçonhentos”. Parece que os escorpiões são um assunto remoto. Também, já faz seis anos que eles ocupam aquela área. Penso que a justiça agiu em defesa desses animaizinhos peçonhentos e lhes conferiu a propriedade da terra do cemitério por usucapião.
Feito o discurso que apresentou tais propostas, os reivindicantes aplaudiram de pé, na ignorância de que o regimento interno da casa proíbe demonstração contra ou a favor. Concordo com as reivindicações, mas não aplaudi de pé o discurso (também ignorava a existência de qualquer regra que proibisse manifestações). Minha atitude se assemelhou um pouco a dos vereadores. Acho a greve um meio democrático e legal para cobrar medidas do poder público. Porém, não darei nenhuma contribuição para que os objetivos sejam atendidos, como muito dos vereadores que só agem com uma expressão de aprovação associado ao chacoalhar da cabeça. Ainda comparando minha atitude passiva com a desses políticos, percebe-se que estes a representam de uma forma mais completa, ou seja, concordam e discursam. Esse detalhe foi importantíssimo – em outras épocas seria apenas importante. Citarei dois agravantes de valor positivo nessa situação: eles discursaram para um grande (tomando as devidas proporções) público presente e não para um espectador que fica na cozinha enquanto o vereador fala na televisão da sala; e tiveram a oportunidade de fazer campanha para a reeleição, sentindo já o clima de disputa para ver qual seleciona as melhores palavras para atrair o eleitorado.
Usarei a oratória política proferida na Câmara como base para escolher aquele que mais se destacou nessa última sessão. Só para lembrar, o destaque da semana passada foi o vereador Antônio Carlos Garms (PTB) por ter expressado muito bem sua inquietação e revolta decorrentes de sua desinformação quanto à possível negociação de um empréstimo da Caixa Econômica para o governo e de sua descrença referente à construção das Nações Norte. Inclusive, nessa última reunião, o vereador justificou que se excedeu devido ao alto nível de adrenalina no sangue. Acrescento que esse hormônio prepara o organismo para grandes esforços físicos, o que me leva a crer ser esse o motivo de o vereador se movimentar tanto no prédio e atacar colegas de profissão e jornalistas, enquanto a reunião seguia. Voltando a escolha do destaque dessa semana, o tema abordado foi a greve dos policiais civis e aquele que melhor discursou (fez campanha política) foi o vereador Arildo Lima Júnior (PP) que com sua incomparável prolixidade utilizou-se dos dez minutos da tribuna para instruir sobre a importância do polícia civil e para emocionar por meio da humanização do ofício.
Pautas renegadas
Por uma feliz coincidência, foi citada na tribuna a situação dos cemitérios de Bauru, necessitados da ação da Endurb que se responsabiliza pelas reformas. Houve revolta do legislativo que não aceita que a restauração do mármore seja mais cara que a do granito. E quanto à presença de escorpiões no cemitério? Bem, esse assunto teve seus cinco segundos na pauta quando citaram, entre vírgulas, a expressão “animais peçonhentos”. Parece que os escorpiões são um assunto remoto. Também, já faz seis anos que eles ocupam aquela área. Penso que a justiça agiu em defesa desses animaizinhos peçonhentos e lhes conferiu a propriedade da terra do cemitério por usucapião.
1 comentários:
Achei mmuito importante esse artigo sobre os vereadores na Câmara.
\\\\\parabéns a toda equipe FALABAIRRO, realmente um trabalho sério, trazendo informações para toda população.
QUEM AINDA NÃO VIU, ESTÁ PERDENDO!!!
Agradecemos a todos ,
Isabel Roman.
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